Vidas artificiais

Na sociedade moderna, todos nós vivemos, mesmo que em diferentes proporções, uma “vida artificial”. Isto é, uma vida em que forças econômicas, políticas e sociais canalizam nossa espontaneidade natural. Hoje, a vida de alguns é tão artificial que já perderam todo contato com seu propósito de vida. Pense, por exemplo, por que o consumo de comida pronta (congelados e delivery) tem aumentado constantemente? Conveniência.

Eis uma definição de conveniência: outras pessoas fazendo coisas por você. Uma loja de conveniência: outras pessoas selecionaram alguns produtos por você e criaram um estoque num lugar próximo (transportaram por você). Conveniência nada mais é do que outras pessoas levando coisas até você e fazendo coisas por você. Coisas que antes fazíamos por conta própria, agora pagamos para que outros façam. Pagamos até mesmo para que cuidem dos nossos filhos. Por quê? Porque é mais eficiente, porque não temos tempo — estamos sempre muito ocupados.

Nosso tempo é canalizado, direcionado a um pequeno número de atividades: comer, trabalhar, se locomover e afins. As atividades consideradas “obrigatórias” dominam a rotina, enquanto a gama de atividades “opcionais”, nossa própria extensão de “liberdade”, diminui e se torna cada vez mais superficial. A liberdade acaba por se traduzir em escolhas insignificantes entre Extra e Carrefour, marca A ou marca B, novela ou futebol. A liberdade de ir ao trabalho num Volkswagen ou Hyundai. Ao mesmo tempo, não temos mais o controle de aspectos importantes da vida, nem mesmo nossos pensamentos e opiniões. Sim, pensamos sob influência da mídia e cultivamos preconceitos já enraizados — tudo simplificado pra nossa conveniência, veja que maravilha!

São esses os aspectos da “vida artificial”. Sua padronização torna insosso o que costumava ser variado, único e imprevisível. Pra melhorar um pouco, temperamos com um entusiasmo fantasioso em relação ao futebol, natal, liquidações, moda, fofocas, viagens à Disney, novelas, carros novos e smartphones modernos. Muitas vezes, esse entusiasmo é superficial e sem significado.

Nos sentimos desapontados quando os modelos de sucesso, excitação e felicidade não correspondem à nossa realidade. Eventualmente, nossa resposta é um misto de pessimismo e descrença, uma sensação de que nada realmente importa, nada faz diferença. Nos sentimos perdidos, é verdade, mas o caminho para restaurar algum senso de autenticidade segue pelos princípios da natureza, família, reflexão, humor, amor e criatividade.

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