Brainstorm #2

Monólogo de uma lucidez intermitente

Por que insiste em tratar os sintomas? Quanto mais se informa, lê, ouve e conversa, mais poderosa se torna essa pergunta, não é? Não se afogue num mar raso de opiniões cada vez mais diluídas entre citações e memes.

Liberte-se do pensamento binário. Estado ou Mercado? “Bom selvagem” de Rousseau ou “maldade inerente” de Hobbes? Liberdade ou segurança? Ativismo ou reflexão? Débito ou crédito? Perceba que as instituições de uma sociedade tendem a defender os interesses dominantes, ou seja, quanto maior a polarização, mais fácil é a manutenção do status quo.

Além disso, reconheça as divergências pelo que são: apenas oportunidades de aprendizado. Nós, seres sociais e digitais, estaremos sempre se debatendo, até mesmo em questões cruciais para a nossa sobrevivência como espécie. Por exemplo, quem já leu seriamente sobre o assunto é incapaz de negar o Aquecimento Global, mas as “soluções” que discutimos não passam de meros paliativos. Vale ilustrar como a evolução nessa questão chega a ser patética:

  1. O Aquecimento Global não existe.
  2. Ok, o fenômeno existe mas não foi causado pelo Homem.
  3. Tudo bem, o Aquecimento Global é real e somos responsáveis por acelerar o processo, mas não há o que fazer.
  4. O negócio é o seguinte: o Aquecimento Global existe, somos responsáveis e há, sim, o que fazer, mas requer tanto esforço, que é economicamente inviável.

Viu só? Reconheça a mentalidade por trás dessas perguntas e ajude a transformá-la. Pense como um “Eu maior” e torne obsoleto tudo o que te atrasa. O caminho é a disrupção. Aceite o inesperado. Ame o desconhecido. Não desconstrua, destrua. Quero ver todo e qualquer conceito “naturalizado” em pedaços, voando pelos ares. E do que restar, dos escombros dessa mentalidade dualista, se atreva a pensar, agir, sentir e se enxergar como algo além do que antes era um minúsculo “Eu”. Perceba que a necessidade de controle e a busca por estabilidade são apenas efeitos colaterais da covardia e do medo.

Está na hora de mudar a escala e colocar as coisas em perspectiva. Então repito: por que insiste em tratar os sintomas? Esqueça qualquer ideologia, posição política, crenças e valores. Destrinche os significados e pressupostos, conheça e tenha empatia por diferentes visões de mundo, mas volte a focar no que mais importa: as causas.

A práxis — refletir e agir, dialeticamente — é tarefa comum a todos nós, mas se apresenta para cada um de maneira única. Portanto, respeite o “outro”, aprenda com suas ideias mas não se limite aos sintomas. É hora de adotar uma práxis autêntica e cria-la à sua maneira. Se ainda não encontrou, vá buscá-la. E quando voltar a se perder nos próprios hábitos, torne a me procurar.

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